São João da Cruz

 

Da noite a solidão sonora invade

a alma, e a alma sozinha, companheira

do silêncio noturno, é a primeira

a penetrar a doce escuridade.

 

Deixem-na ir até onde a calada,

silenciosa música se espraia;

o vento é manso, a noite é sossegada,

o fulgor das estrelas já desmaia.

 

Deixem-na ir, sem ser notada, a casa

quieta, o repouso do infinito em tudo

que a cerca e docemente é que a domina.

 

Deixem-na ir, pequena, humilde brasa

acesa contra a treva e contra o mundo

céu de que desce a estranha paz divina.

Autor: Alphonsus de Guimaraens Filho (1918-2008)
Editado por: nicoladavid

Comments