O Cemitério Dorme…

 

O cemitério dorme. É a hora suave

em que, quando em sossego meditavas,

mitos, visões antigas despertavas,

e em teu silêncio, e em tua alma de ave,

 

outra noite mais bela resplendia.

Ah os teus sinos, teus sineiros, tuas

igrejas, e as amadas que de luas

irreais te buscavam! A luz que ardia

 

nos teus olhos de sonho e de lembrança

quando, curvado sobre a dor esparsa

nos inacessíveis céus que te atraíam,

 

eras talvez não mais que uma criança

que procura reter nas mãos ingênuas

o sol — mãos que o inefável possuíam...

Autor: Alphonsus de Guimaraens Filho (1918-2008)
Editado por: nicoladavid

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