Mário de Andrade

 

São Paulo, comoção da tua vida,

contemplo agora que na noite estão

cantando ao longe, e tudo é a despedida

irreparável, sem consolação.

 

Macunaíma, o herói, mais a querida

Ci, eu os vejo a arder na escuridão.

Que estrela é aquela no alto céu perdida?

Como ficaste solitário, irmão!...

 

Ah se pudesses contemplar agora

as águas tristes, Mário, do sombrio,

fraterno Tietê! Delas se eleva

 

uma voz que te busca pela treva

e na qual repercute (e o rio chora...)

a tua própria voz: "Rio, meu rio!"


Autor: Alphonsus de Guimaraens Filho (1918-2008)
Editado por: nicoladavid

 
 
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