Elegia para Mário de Andrade

 

Era doce viver, se a madrugada

paulistana molhava as rosas, os milhões

de rosas paulistanas... A arraiada

afugentando pasmos... Mas, pinhões!

 

que não seria desta vida airada,

destes sítios de dor, destes sertões!

Havia o mundo, a face ensangüentada

do mundo... uivando, uivando nos sulões.

 

Eu sou trezentos, sou trezentos-e-cinqüenta,

Mário dizia, o coração batendo

de amor, de um forte amor insaciado.

 

Mário de humanidade se alimenta.

Mário é milhões de corações sofrendo.

E um dia o corpo... um sonho inanimado.

Autor: Alphonsus de Guimaraens Filho (1918-2008)
Editado por: nicoladavid

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