Cemitério de pescadores (XVII)

 

Mas a vida é que estua pelas praias...

Nas grandes castanheiras o sol arde.

E ninguém sabe se serão da tarde

(ou do sonho dos homens) essas vagas,

 

tristes cintilações que o céu despede.

Nas grandes castanheiras o sol freme

e o mar que ruge ao longe, o mar que geme,

que mistura ternuras, rudes pragas,

 

o mar como que quer ressuscitá-los,

como que quer de novo arrebatá-los

ao minuto de assombro que antecede

 

a morte, a solidão final... O mar

desfaz-se em mil acenos, a chamá-los,

como se acaso fossem regressar...

Autor: Alphonsus de Guimaraens Filho (1918-2008)
Editado por: nicoladavid

 
 
Comments