"Terceira Dor"

VI 

P. Sião que dorme ao luar.

Vozes diletas Modulam salmos de visões contritas...

E a sombra sacrossanta dos Profetas

Melancoliza o canto dos levitas.
 

As torres brancas, terminando em setas,

Onde velam, nas noites infinitas,

Mil guerreiros sombrios como ascetas,

Erguem ao Céu as cúpulas benditas.
 

As virgens de Israel as negras comas

Aromatizam com os ungüentos brancos

dos nigromantes de mortais aromas...
 

Jerusalém, em meio às Doze Portas,

Dorme: e o luar que lhe vem beijar os flancos

Evoca ruínas de cidades mortas.

 

Autor: Alphonsus de Guimaraens (1870-1921)
Editado por: nicoladavid


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