Árias e Canções


II 

A suave castelã das horas mortas
Assoma à torre do castelo. As portas, 

Que o rubro ocaso em onda ensangüentara,
Brilham do luar à Luz celeste e clara. 

Como em órbitas de fatais caveiras
Olhos que fossem de defuntas freiras, 

Os astros morrem pelo céu pressago...
São como círios a tombar num lago. 

E o céu, diante de mim, todo escurece...
E eu nem sei de cor uma só prece! 

Pobre Alma, que me queres, que me queres?
São assim todas, todas as mulheres.
 

Autor: Alphonsus de Guimaraens (1870-1921)
Editado por: nicoladavid


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