"Como se moço e não bem velho eu fosse"


LXXV

Como se moço e não bem velho eu fosse

Uma nova ilusão veio animar-me.

Na minh’alma floriu um novo carme,

O meu ser para o céu alcandorou-se.

 

Ouvi gritos em mim como um alarme.

E o meu olhar, outrora suave e doce,

Nas ânsias de escalar o azul, tornou-se

Todo em raios que vinham desolar-me.

 

Vi-me no cimo eterno da montanha,

Tentando unir ao peito a luz dos círios

Que brilhavam na paz da noite estranha.

 

Acordei do áureo sonho em sobressalto:

Do céu tombei aos caos dos meus martírios,

Sem saber para que subi tão alto...

 

Autor: Alphonsus de Guimaraens (1870-1921)
Editado por: nicoladavid



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