Grinalda





(Date lilia.

Virg.)


 

Andei pelo prado vagando, vagando

Em busca da flor

Que aqui hei de pôr.

Grinalda tão bela, que se vai trançando

Com tanto primor,

Que flor lhe hei de eu pôr?

Vou-me à borboleta, que nesses vergéis

Anda a namorar,

Vou-lho perguntar...

Não: hei de ir à abelha que mais sábias leis

Tem no seu gostar;

Ir-lho-ei perguntar.

Mas a borboleta é doida, coitada,

Não sabe das flores

Senão viço e cores;

E a pobre da abelha, sempre carregada,

Não vê no vergel

Senão o seu mel,

E eu nesta flor quero da rosa a beleza,

Do lírio a candura,

Do nardo a doçura...

Diz-me o coração que nem natureza

Fez tal formosura,

Nem arte ou cultura.

Mas também me diz – e eu creio – eh! que sim...

Que o jardim de amor

Produz a tal flor.

Mancebos, correi, correi lá por mim:

O que achar a flor, Que a venha aqui pôr.

 

 

Autor: Almeida Garrett (1799-1854)
Editado por: nicoladavid




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