Glicera

                                            


             (De Horácio)


Manda a mãe dos amores,
Da tebana Sêmele ordena e filho,
E a lasciva licença,
Que a já findes amores volva o ânimo.
De Glicera que brilha
Mais pura do que e mármore de Pares
A nitidez me inflama:
Grato me inflama o garbo desenvolto,
E aquele gesto lindo,
Tão tentador, tão lúbrico de ver-se.
Chipre desamparando,
Vem toda,
Vênus sobre mim de golpe:
Nem já cantar de Citas,
Nem do Parto esforçado e cavaleiro,
Que no corcel voltado,
Fugindo e pelejando, se retira...
Nada que seu não seja.
Nada já me consente,
–Aqui, mancebos,
Trazei-me aqui verbenas,
E ponde-me em altar de toiças vivas
Taças de vinho, incensos:
Que a vitima será depois mais branda.

Autor: Almeida Garrett (1799-1854)
Editado por: nicoladavid



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