Eu Ccoroarei De Mirto A Minha Espada




(De Alceu)


 

Eu coroarei de mirto a minha espada,

Como a de Harmódio, honrada,

E como a de Aristogíton, o forte,

Quando ao sevo tirano deram morte,

E Atenas libertada

Foi à igualdade antiga restaurada.

Tu não morreste. Harmódio, oh não! tu gozas

Nessas ilhas ditosas

Serena vida cos heróis que aí moram,

E onde, cremes, demoram

Diômedes, o valente,

E Aquiles, e veles, eternamente.

De mirto a minha espada

Trarei como Aristogíton c'roada,

E come Harmódio oferte

Que à vingança a reserva.

Quando, nos sacrifícios de Minerva,

Ao tirano Hiparco deram morte.

Em prezada memória

Viverá para sempre eternamente,

Harmódio, a tia glória,

E a tua, Aristogíton valente.

Que o tirano mataste,

E à liberta cidade

O usurpado direito restaurastes

Da primeira igualdade.

Autor: Almeida Garrett (1799-1854)
Editado por: nicoladavid



Comments