Ai Helena


Ai, Helena!, de amante e de esposo

Já o nome te faz suspirar,

Já tua alma singela pressente

Esse fogo de amor delicioso

Que primeiro nos faz palpitar! ...

Oh!, não vás, donzelinha inocente,

Não te vás a esse engano entregar:

E amor que te ilude e te mente,

É amor que te há-de matar!

Quando o Sol nestes montes desertos

Deixa a luz derradeira apagar,

Com as trevas da noite que espanta

Vêm os anjos do Inferno encobertos

A sua vítima incauta afagar.

Doce é a voz que adormece e quebranta,

Mas a mão do traidor ...faz gelar.

Treme, foge do amor que te encanta,

É amor que te há-de matar.

 

 

Autor: Almeida Garrett (1799-1854), in: “Folhas Caídas”
Editado por: nicoladavid



Comments