A Uma Viajante


Que hei de eu dizer à amável estrangeira

Que lhe fique em memória

Desta terra onde viça a laranjeira

Coa doce flor do amor

Junto ao louro da glória?

Eu cantei como canta no verdor

Do bosque o rouxinol,

Sem saber o que faz – ledo coa aurora,

E triste ao pôr do Sol...

Deixei de ser poeta como o fora,

Não sei porquê, – sei que e não sou já agora.

 

 

Autor: Almeida Garrett (1799-1854)
Editado por: nicoladavid



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