Nas mudas solidões da alma da gente

 

Nas mudas solidões da alma da gente,

Pela noite sem termo, andam vagando

Dolorosos espectros tristemente,

Em soluçante e doloroso bando...

 

Uns têm o aspecto cândido, inocente,

E os olhos cheios de lágrimas, chorando.

Outros, da rebeldia impenitente,

Vão, na fúria danada, estertorando.

 

É toda a dor amarga que nos prosta,

Que, num cortejo fúnebre, se mostra,

- Duendes vagando na alma - sem rebouços...

 

São as acerbas mágoas, os gemidos

Profundos, revoltados, doloridos,

E as blasfêmeas, e as pragas, e os soluços...


Autor: Alceu Wamosy (1895-1923)
Editado por: nicoladavid

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