Firo-te as cordas

 

Firo-te as cordas, cítara dormente,

Velha cítara poenta, abandonada,

Que um régio artista fez vibrar, pulsada

Pela divina mão, antigamente.

 

E assim, por um instante despertada,

Na mesma vibração profunda e ardente

De outrora freme, cítara dolente,

Toda a tua alma, trêmula, acordada.

 

Nessa maviosa música embebido,

Escuto as notas, múrmuras, chegando

Como um coro celeste, ao meu ouvido.

 

E eu julgo, então, sentir, no derradeiro,

No último som que morre, a alma, chorando,

Desse que as cordas te tangeu primeiro...


Autor: Alceu Wamosy (1895-1923)
Editado por: nicoladavid

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