Ó calvário do Verso!

 

Ó calvário do Verso! Ó Gólgota da Rima!

Como eu já trago as mãos e os tristes pés sangrentos,

De te escalar, assim, nesta ânsia que me anima,

Neste ardor que me impele aos grandes sofrimentos...

 

Esta mágoa, esta dor, nada existe que exprima!

Sinto curvar-me o joelho a todos os momentos!

E quanto falta, Deus, para chegar lá em cima,

Onde o pranto termina e cessam os tormentos...

 

Mas é preciso! Sim! É preciso que eu carpa,

Que eu soluce, que eu gema e que ensanguente a escarpa,

Para esse fim chegar, onde meus olhos ponho!

 

Hei de ascender, subir, levando sobre os ombros,

Entre pragas, blasfémias, gemidos e assombros,

A eterna Cruz pesada e negra do meu Sonho!


Autor: Alceu Wamosy (1895-1923)
Editado por: nicoladavid
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