Espectáculo

 

Passa a tropa na rua e abrem-se as janelas de repente, 
Debruçam-se bustos sobre a rua sem importância. 
O sol põe resplendores no ouro falso das bandeiras 
E rebrilha nas baionetas erguidas para o céu. 
Alarga-se no ar um hino de guerra e de heroísmo, 
E a marcha certa dos soldados hirtos e compenetrados 
de que são outros homens 

Faz, a seu compasso resoluto, bater 
O coração dos habitantes da rua sossegada ... 

Os meninos vêem finalmente marchar os seus soldados de chumbo ... 

As moças sonham desfalecer nos braços dos heróis 
E agitam os seus lenços ao vento da manhã... 

Só dentro de uma janela que há de abrir-se na noite, 
Uma mulher triste olha para longe sem ver 
E leva o lenço aos olhos encharcados ... 

 

Autor: Alberto de Serpa (1906-1992)
Editado por: nicoladavid

 
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