Como tu embriagas!

 

Vens, ó Poesia!, ou tumultuosa ou mansa,

Cerras o nosso olhar a estes tempos em chagas,

E canta dentro em nós uma esperança.

És uma irmã que deixa

A fresca mão na nossa testa ardente,

Depois da luta que engrandece a queixa

Que temos sempre contra tanta gente.

És aquela que chega

— Se o tédio em nossas almas se insinua —

Sempre fácil e pronta para a entrega

Mais total e mais nua.

És tu, poesia, quem

— Quando nos prendem boca, mãos e pés —

A coragem raivosa nos mantém,

Ciciando-nos: “Talvez...”

Que bem hajas! Aqui

E em toda a parte, nossos passos guia!

Por cada hora, sejamos mais de ti,

E tu, mais nossa, Poesia!


Autor: Alberto de Serpa (1906 -1992)
Editado por: nicoladavid

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