"Romance"

 
Por noite dera truz-truz, bateram à minha porta:
¾ donde vens, ó minha alma?
¾venho morta, quase morta!
já eu mal a conhecia de tão mudada que vinha,
trazia todas quebradas suas asas andorinhas.

mandei lhe fazer a ceia do melhor …
Por noite dera truz-truz, bateram à minha porta:
¾ donde vens, ó minha alma?
¾ venho morta, quase morta!
já eu mal a conhecia de tão mudada que vinha,
trazia todas quebradas suas asas andorinhas.

mandei lhe fazer a ceia do melhor manjar que havia.
¾ donde vens, ó minha amada, que já mal te conhecia?
mas a minha alma, calada, olhava e não respondia.
e nos seus formosos olhos, quantas tristezas havia.
mandei lhe fazer a cama, da melhor roupa que tinha:
por cima, damasco roxo; por baixo, cambraia fina.

¾ dorme, dorme, ó minha alma. dorme para te embalar.
a boca me está cantando, com vontade de chorar…

 

Autor: Afonso Lopes Virira (1878-1946)
Editado por: nicoladavid

 

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