Para Quê?

 

Como quem pára ao fim d'uma jornada,

Extenuado, exangue, e foi deixando

O seu sangue no pó da imensa estrada

Por onde vinha, há muito, caminhando…

 

E sua vista, de chorar quebrada,

Ao caminho que andou a vai botando,

E reconhece enfim que andou p´ra nada

E para nada foi que andou penando…

 

Assim eu, que gastei o sentimento

Pus nua a alma e escrevi com sangue

O que em meus olhos a tua alma lê,

 

Pergunto ao fim do áspero tormento:

-Alma que vais perdida e vais exangue,

P'ra que choraste e andaste… para quê?

 

Autor: Afonso Lopes Vieira (1878-1946)
Editado por: nicoladavid

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