Saudades do Corgo

 

Murmúrio de água em Terra da Purinha,

Lembra a voz da montanha o meu amor.

Oh água em quebra voz “sou teu,és minha”!

Rescende em mim a madressilva em flor.

 

— Suas palavras dão perfume ao vento,

— Seus Olhos pedem o maior sigilo...

Sóror amando às grades de um convento,

Ó Sóror dum romance de Camilo!

 

De longe e ausente ao seu perfil do Norte,

Evoco em sonho as Terras do luar,

— Fragas do Corgo em medievo corte!

 

À Lua e ao Sol para a servir e amar,

Quando a ausência vem — quem a suporte!

As saudades são o meu falar.

 

Autor: Afonso Duarte (1884-1958)
Editado por: nicoladavid

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