Estepe

                            

                
               “A Cecília Meireles “

Desterro dos desterrados,
Meu coração é estepe delicada:
E meu cabelo neva
Sem Pátria, minha amada
Minha amada.

Vou como ovelha tresmalhada
Que viu lobo,
Homem do povo, homem do povo
Que chora em sua Pátria amada.

Sem nada, sem nada.
Sinto-me velho já do meu cansaço;
Sou como o pobre que trabalha a terra
Com o seu braço.

Meu coração é estepe delicada
E a minha alma é louca:
Ah! o heroísmo de cavar a terra
Sem o pão nosso cada dia para a boca!


Autor: Afonso Duarte (1884-1958)
Editado por: nicoladavid

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