Rusga

 

Vai-te! Não quero mais saber de ti; maldito
e cínico traidor! - exclamo, revoltada.
Não quero mais te ver - furiosa, repito.
Acabou-se. Entre nós não pode haver mais nada!

E a cada instante mais me enraiveço e me excito:
digo-lhe algo pior do que uma bofetada...
Ele reage e entre nós vai-se armando um conflito,
desenrolado atrás de uma porta fechada...

E, louca, em meu furor, continuo a insultá-lo.
Porém, não sei porque, de repente, me caio,
nos seus braços viris sentindo-me espremida.

A briga terminou sobre o leito macio:
e nunca foi tão louco o nosso desvario
e nem houve jamais gozo maior na vida.


Autora: Adelaide (Yde) Schloenbach Blumenschein (1882-1963
Editado por: nicoladavid

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