Velhice, Solidão, Morte


Eu como, eu bebo, eu durmo e a vida passo

Ora bem, ora mal, como sucede:

Tomo tabaco, e chá; e se mo pede

O génio alguma vez, eu Nize abraço:


As vezes jogo, as vezes versos faço,

Que mais que a arte a natureza mede:

E talvez por saber como procede

Em se mover o Sol círculos traço.


Alguma vez me agrada a soledade,

Outras vezes a nobre companhia;  

E desta sorte vou passando a idade:


E espero assim que venha a morte fria

Com o manto da eterna escuridade

Encobrir-me de todo a luz do dia.

 

Autor: Abade de Jazente (1719-1789)
Editado por: nicoladavid


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