"Tudo se muda: O Génio Unicamente"

Tudo se muda: o génio unicamente
Em ser constante nos mortais porfia,
Connosco a vir ao mundo principia,
Connosco morre, e nunca se desmente.

Ele as paixões na idade mais florente,
Ele as acende na velhice fria:
É sempre o mesmo, e em nada se varia
Por mais que à vida a duração se aumente.

Dissimula-se sim, mas qualquer hora,
Apesar da mais rígida cautela,
Nos entrega cruel, e as faces cora.

Assim o antigo ardor, que me atropela,
Assim me incita, ó Nize, a que inda agora
Te adore amante, e te celebre bela.

 

Autor: Abade de Jazente
Editado por: nicoladavid

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