Se tanto gosto a tua tirania


Se tanto gosto a tua tirania

Recebe, ó Fera, em ver um desgraçado,

Põe os olhos em mim; vê se te agrado,

Que eu te farei constante companhia.

 
Não precisas, que à bárbara Turquia

Vás ver sobre as galés algum forçado,

Pois eu, mais infeliz, junto ao teu lado

Avivarei a tua rebeldia.


Se o teu prazer enfim, cruel, consiste

Em teres por objecto um descontente,

A quem a desventura sempre assiste;


No vás mais longe, não; porque presente

Tem feito o teu rigor de mim um triste,

O mais triste, que cobre o Sol luzente. 
 

Autor: Abade de Jazente (1719-1789)
Editado por: nicoladavid


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