Se Magro Como Um Cão Alguém Me Visse

Se magro como um cão alguém me visse

Em terra estranha roto, e desprezado,

E do pobre vestido esfrangalhado

Cardumes de piolhos sacudisse:

 

Se doença maligna perseguisse

Meu corpo de ossos só organizado;

Se em terrível prisão, no chão deitado

De fria cama a terra me servisse:

 

Se feito objecto ascoso a toda a gente,

Aquele, que me visse a vez primeira,

Ou fugisse, ou pasmasse de repente:

 

Se meu corpo por fim visse a lazeira

De cego, surdo, e mudo juntamente;

Antes tudo sofrera que ter F...

 

Autor: Abade de Jazente (1719-1789)
Editado por: nicoladavid



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