Ou fosse, Nize, em nós pouca cautela


Ou fosse, Nize, em nós pouca cautela,

Ou que alguém pressentisse o nosso enleio,

Tudo se sabe já; tudo é já cheio,

Qu’algum cuidado há muito nos disvela.


Dizem, qu’eu sou feliz, que tu és bela;

E às vezes com satírico rodeio,

Um murmura, outro zomba, e sem receio

A fama cada qual nos atropela.


Mas se nunca se tapa a boca à gente,

E se amor sempre activo nos devora,

Porque aquela é mordaz, porque este ardente;

 

Adoremo-nos pois como até agora:

Siga-se amor; arraste-se a corrente;

E se o mundo falar, que fale embora.

 

Autor: Abade de Jazente (1719-1789)
Editado por: nicoladavid


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