Nize, eu não posso mais


Nize, eu não posso mais, e a minha idade

Já não resiste à tua gentileza,

Porque em mim já desmaia a natureza,

E em ti inda te alenta a mocidade.


Enquanto eu pude, e tive actividade,

Nenhuma exp’rimentou em mim tibieza;

E se queres saber esta certeza,

Tua avó te dirá toda a verdade.


Pergunta-lhe o que fiz, e a valentia

Com que do ardente amor acompanhado

Nas campanhas de Vénus combatia:


Mas já hoje da guerra estropiado,

Só conservo na vaga fantasia

Estas tristes memórias do passado. 
 

Autor: Abade de Jazente (1719-1789)
Editado por: nicoladavid


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