Nize, deixa-me em paz


Nize, deixa-me em paz; porque já agora

No mar de Amor, por mais que á vela saia,

Carcaça velha sou, que junto á praia,

Por não poder surgir se desarvora.

 

Adeus, que quem me vir da barra fora,

É capaz de me dar alguma vaia:

E ao menos quero, antes que ao fundo caia,

Inda salvar-me: adeus; fica-te embora.

 

Bem sei que pouco é já; mas por vanglória

(Porque às vezes se faz do próprio dano)

A mesma falta hei-de fazer notória.


E no público altar do Desengano,

Deixarei dos estragos por memória

O destroçado leme, e o roto pano.

 

Autor: Abade de Jazente (1719-1789)
Editado por: nicoladavid


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