Imitando Camões


Amor é um arder que se não sente;

É ferida que dói, e não tem cura;

É febre, que no peito faz secura;

É mal, que as forças tira de repente.

 

É fogo, que consome ocultamente;

É dor, que mortifica a Criatura;

É ânsia, a mais cruel e a mais impura;

É frágoa, que devora o fogo ardente.

 

É um triste penar entre lamentos;

É um não acabar sempre penando;

É um andar metido em mil tormentos.

 

É suspiros lançar de quando em quando;

É quem me causa eternos sentimentos.

É quem me mata e vida me está dando.


Autor: Abade de Jazente (1719-1789)
Editado por: nicoladavid


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