Enquanto to permite a mocidade


Enquanto to permite a mocidade,

Teu Pai disfarça, tua Mãe consente,

E enquanto, Nize, a moda o não desmente

Nos brincos gasta a flor da tua idade.


Joga, dança, conversa, e a variedade,

Que causa tanta prenda, assombre a gente;

Deixa-te ver, que o Século presente

Hoje chama ao pudor rusticidade.


Os corações de quem te aplaude enlaça:

desfruta o tempo: e tem por aforismo

Que o gosto é fugitivo, a sorte escassa


Engolfa-te de amor no doce abismo;

Busca o prazer; a vida alegre passa;

Logra-te enfim; que o mais é fanatismo.

 

Autor: Abade de Jazente (1719-1789)
Editado por: nicoladavid


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