Bucólico

 

Aqui sobre esta penha, que defronte

Me fica do Marão, sentar-me intento,

Para lançar ao mundo o pensamento

Antes que o Sol se meta no Horizonte.

 
Acolá vejo ao pé daquele monte

De uma pobre corrente o nascimento,

Que apenas deve á chuva um breve aumento

Já quer ser rio, e deixa de ser fonte. 
 

Já tal estrondo faz, e tal balborda,

Que tudo atroa; e assim que o vale ganha

Logo se espalha, e toda se tresborda.


Enxada, submergir quer a campanha,

Soberba quer ser mar; e não se acorda

Que a mijou ainda há pouco uma montanha.


Autor: Abade de Jazente (1719-1789)
Editado por: nicoladavid

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