Apreciando a dedicação dos cães

 

Tó, Mondego, vem cá; pois tu somente

Alivias um pouco o meu cuidado;

Que em parte se consola um desgraçado,

Quando tem quem lhe escute o mal que sente.


Tu firme; tu leal; tu finalmente

Me tens na minha ausência acompanhado:

Raro impulso de amor! Porque ao seu lado

Ninguém quer suportar um descontente.


Ora deixa, que em prémio da piedade,

Com que o teu zelo ao meu tormento assiste,

Farei teu nome emblema da amizade.


E os versos meus que um tempo alegre ouviste

Cantarão, para exemplo da lealdade,

Um Rafeiro fiel de um Pastor triste. 
 

Autor: Abade de Jazente (1719-1789)
Editado por: nicoladavid

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