Ao seu Amigo

 

Deixa, Moreira, o mundo; é tempo agora

De ver da praia firme o golfo insano,

As velas colhe, e o tarde desengano

Com levantadas mãos devoto adora.


Repousa pois: o mundo hoje devora

Com enganos cruéis o peito humano;

E rindo-te de ver o antigo engano,

As antigas paixões sábio melhora.


Deixa Amor, deixa as Musas, e somente

Do Ilustre Baco o copo à boca arrima;

Pois alegra a quem vive descontente:

 

Louva o homem discreto, o Sábio estima;

Ama a virtude; mostra-te prudente;

Toma tabaco, fala à tua Prima.

 

Autor: Abade de Jazente (1719-1789)
Editado por: nicoladavid

Comments