Amores – o fim


Nize, eu não sou de ferro, e atenuado,

Ainda que o fora, o uso me teria;

Porque enfim do trabalho na porfia

Se consome o metal mais obstinado.


Instrumento não há tão reforçado,

Que resista do tempo à bataria:

Gasta o martelo a safra, e a terra fria

Pouco a pouco consome o curvo arado.


Tudo assim é: o amor o mais ardente,

No contínuo incêndio se evapora;

E o mesmo me acontece ultimamente.


Outro procura pois; e te melhora

De amante, ou mais afouto, ou mais valente;

Que eu já não posso mais; fica-te embora.

 

Autor: Abade de Jazente (1719-1789)
Editado por: nicoladavid


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