À morte do Cão “Mondego”

 

Morreu o meu “Mondego”, o que algum dia

Com tal desvelo me guardava o gado,

Que nem lobo voraz sobre o montado,

Nem no curral ladrão subtil se via.

 

Ele por toda a parte me seguia,

E com afecto tal, com tal cuidado,

Que inda depois de ver-me desgraçado,

Inda assim nos meus males me assistia.

 

Ora repousa em paz, e unicamente

Quem eu sou, quem tu foste, este letreiro

Faça algum dia, a quem o ler patente:

 

Aqui jaz subterrado neste outeiro,

Dando exemplos de amigo a muita gente,

De um pastor triste o mais fiel rafeiro.

 

Autor: Abade de Jazente (1719-1789)
Editado por: nicoladavid

Comments