Rio

 

- Bojuda serpe, dócil crocodilo -
coleia o rio… Atrás, uma montanha
figura um cavaleiro a persegui-lo
de longe… E, distanciando-se, o acompanha.

Adiante, o bosque todo se emaranha
para deter-lhe o curso e constringi-lo:
o rio, surdo e cego à ameaça estranha,
vai correndo, monótono e tranqüilo…

Abre-se o abismo ali para tragá-lo:
e o rio, dorso ondeante ao beijo eóleo,
salta, a crina a flutuar… régio cavalo!

E ancho, e triunfante, como um rei no sólio,
avança para o Mar, quer dominá-lo…
E o Mar, que o espera, num bocejo, engole-o…

Autor: Hermes Fontes (1888-1930)
Editado por: nicoladavid

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