"Deitando o Cavalo à Margem"

Vai, míscro cavalo lazarento,

Pastar longas campinas livremente;

Não percas tempo, enquanto to consente
De magros cães faminto ajuntamento:

 

Esta sela, teu único ornamento,

Para sinal de minha dor veemente,
De torto prego ficará pendente,
Despojo inútil do inconstante vento:

 

                    Morre em paz; que em havendo algum dinheiro, 
                    Hei-de mandar, em honra de teu nome,

                    Abrir em negra pedra este letreiro:

 

                    «Aqui, piedoso entulho os ossos come 
                      Do mais fiel, mais rápido sendeiro,

                      Que fora eterno a não morrer de fome.»

 

 

Autor: Nicolau Tolentino de Almeida (1741-1811)
Editado por: nicoladavid

Não esqueça ligar o som.

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