Soledade



Encontro-me comigo a todo o instante
Na paisagem noturna do meu ser,
Para nela de novo me perder,
Mais ausente ficando e mais distante.

Ó sorte vária! Assim quem há de ver
Neste mendigo roto e caminhante
Aquele místico e saudoso infante
Que o claro Tejo um dia viu nascer?

Ai da minha alma aos ventos desprendida,
Errando ao luar da morte, nem sei onde,
Nas paragens talvez duma outra vida!

A noite cresce; a dor jamais tem fim;
E a minha própria sombra se me esconde
E anda perdida sem saber de mim ...


Autor: Anrique Paço D’Arcos (1906-1993)
"Henrique Beldford Correia da Silva”
Editado por: nicoladavid

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