Destes penhascos

 

Destes penhascos fez a natureza

O berço, em que nasci; oh quem cuidara,

Que entre penhas tão duras se criara

Uma alma terna, um peito sem dureza!

 

Amor, que vence os Tigres, por empresa

Tomou logo render-me; ele declara

Contra o meu coração guerra, tão rara,

Que não me foi bastante a fortaleza.

 

Por mais que eu mesmo conhecesse o dano,

A que dava ocasião minha brandura,

Nunca pude fugir ao cego engano:

 

Vós, que ostentais a condição mais dura,         

Temei, penhas, temei; que Amor tirano,

Onde há mais resistência, mais se apura.

Autor: Cláudio Manuel da Costa (1729-1789)
Editado por: nicoladavid

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