Blind Borges

A vasta e vaga morte, esse outro sonho, 
não é só outro sonho: é a mais remota 
ilha de ouro a que nossa derrota 
nos leva, inexorável, sonho a sonho. 

Latidos pelos cães, sonho após sonho, 
sonhamos. Esta é a vida, a vela, a rota 
do homem: sonhar. E em áurea praia ignota 
sonha o que sonha o sonhador, que é sonho. 

Isto é o que pulsa em nós: o ansiado ouro 
— distante e aqui, no coração —, tesouro 
cuja procura tece a nossa sorte; 

rumo que a alma singra e sagra em ouro 
até chegar enfim a esse tesouro 
incorruptível que nos sonha a morte.

 

Autor: Ruy Espinheira Filho
Editado por: nicoladavid


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