Último Degrau

 

Ao transpor os umbrais do teu prostíbulo,

busquei a embriaguez do esquecimento;

deixe lá fora a dor e o sentimento,

pisando este degrau como patíbulo.

 

Dá-me a cruz de teus braços, oh!... perdida!...

O amor te enlameou e envileceu...

Não és, não és, mulher, mais vil do que eu,

Naná!... Perdi a vida, dá-me a vida!...

 

E quando um dia alguém te perguntar

como é que pudeste ainda amar,

mulher, que sempre o amor vendido tens,

 

dize-lhe: - Era um perdido, um desgraçado;

dei-lhe o meu coração no vil mercado...

Pobre imundície que se atira aos cães!..

 

Autor: Adelino Veiga (1848-1887)
Editado por: nicoladavid

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